Festroiablog.com

Os bastidores do festival

31.Mai.2005

Por me parecer pertinente, recuperei dos comentários este texto em que Mário Ventura explica como se organiza cada edição do Festroia.

Em rigor, um festival como o Festroia demora um ano a realizar. Primeiro planifica-se, depois estudam-se as possibilidades de execução, e finalmente iniciam-se os contactos. É então que se começam a visionar os filmes candidatos ao festival (nunca menos de 300).
Por estranho que pareça, tudo isto é feito por três pessoas - exceptuando o período do Festival, em que o número sobe para 50. No estrangeiro, há festivais que empregam centenas de pessoas ao longo de todo o ano (Berlim, Cannes, etc). Mas também é preciso dizer que existem muitos festivais, com poucas preocupações de qualidade, que se organizam em menos de três meses. Para nós, não contam.
O Festroia tem duas formas de difusão: pela internet, e por intermédio da FIAPF, a organização que promove apenas 45 festivais em todo o mundo. É esta difusão que nos faz chegar, ao longo do ano, centenas de filmes, para serem apreciados, e eventualmente seleccionados. A esmagadora maioria, porém, não é aceite. O comité de selecção, constituido pela Direcção do Festroia e colaboradores estrangeiros, visiona ainda muitas dezenas de filmes nos festivais mais importantes.
O inglês é o idioma de contacto privilegiado. Aliás, de forma abusiva, porque às vezes surpreendemo-nos a usar o inglês nos contactos com o Brasil, por exemplo… Nunca inventariámos os contactos, mas são sem dúvida muitos milhares. E, como é natural, o fax está a perder terreno para o e-mail. Há 21 anos, quando começámos, fazia-se tudo por carta e tínhamos de esperar semanas por uma resposta. Sinais dos tempos…

O jornal

28.Mai.2005

Começou hoje o Festroia! Com o Forum Luísa Todi cheio, todos puderam ver as ‘Shooting Stars’ estrangeiras (Marisa Cruz faltou…) e os primeiros filmes.

Também disponível esteve o número 1 do “Festroia XXI”, jornal diário desta 21ª edição do certame. Na capa desta edição, pela primeira vez com oito páginas, estiveram em destaque os novos talentos do cinema europeu, os júris, os filmes da noite e as fitas do dia seguinte. Além, claro, de uma referência ao festroiablog.com!
Quem não tiver conseguido um exemplar da versão em papel do jornal (esgotou!), pode solicitar o PDF para luis@festroiablog.com (atenção: o ficheiro pesa mais de 6MB).

Tudo (o que ainda não sei) sobre o Festroia

26.Mai.2005

Penso que muitas pessoas terão - à semelhança do que sucede comigo - interesse em saber como se organiza um festival de cinema. Todos ouvimos falar dos certames cinematográficos estrangeiros, como Berlim, Cannes e alguns da América Latina, bem como dos nacionais Fantasporto, Festival de Curtas de Vila do Conde ou do Festroia, mas… o que está por detrás dos festivais?

No caso do Festroia, por exemplo, gostava de saber quanto tempo demora a organizar o certame, quantas pessoas trabalham para o pôr de pé e, sobretudo, como e onde são escolhidos os filmes participantes.

E até tenho curiosidade por aqueles detalhes mais elementares, do género: como sabem os organizadores quem devem contactar? Quantos contactos (telefonemas, faxes, e-mails) estão, em média, na base de cada Festroia? Há um idioma oficial para se entenderem (presumo que seja o inglês, mas…)?

O plano mágico

25.Mai.2005

Desde que me apaixonei pelo cinema - tinha 12 anos de idade e foi a ver aquela obra-prima de Howard Hawks a que chamaram Rio Bravo (e que sorte estrear-me assim) - que houve imensos planos e momentos que me apaixonaram de imediato. Com o passar dos anos fui aprendendo que afinal aquilo não era tão mágico como parecia à primeira vista. Mas houve um que se manteve imutável na minha mente desde a primeira vez que o vi.
Quando a camara se aproxima daqueles olhos azuis, depois do imenso contraste que a sua figura, branca e infima, se afundava na imensidão do deserto de areia, e ouvimos - ou lemos naqueles lábios tão marcantes - a mitica frase “Aqaba…from the land“, sabemos que estamos num filme de David Lean. Um filme com Peter O´Toole. Um filme chamado Lawrence of Arabia. Um filme inadjectivável!

Fazer cinema!

25.Mai.2005

Fazer cinema.
Quando se fala de cinema, fala-se em ver cinema. Em sentir cinema. Em analisar cinema. Em comentar cinema. Mas, e fazer cinema?
Parecendo que não - e falo não pelos inumeros making off que já vi, mas por experiência própria - mas fazer cinema é das coisas mais exaustivas e gratificantes que existem. A questão é que a gratificação só surge no final, após um imenso trabalho técnico, de campo, de coordenação, e, acima de tudo, de imenso sacrificio. E essa gratificação funciona como algo incompleto na maior parte das vezes. Nem sempre aquela cena fica como desejamos. Aquele plano saiu de campo. O actor enganou-se na entoação a dar àquela frase. Há sempre algo que falha, sempre algo que nos desanima. Por isso, quando somos criticos com os filmes que vemos, temos de ter também a noção do que se passa no outro lado. Das dificuldades do argumentista em criar uma história real, credivel, apaixonante. Dos problemas do realizador em filmar a sequência do ponto de vista certo para aquele momento. E do editor, esse trabalhador quase solitário, mas fundamental na transformação da ideia do argumentista, do sentimento do realizador, no resultado final que o público vai encontrar. Por isso ás vezes, quando se pensa em cinema, e se fala em cinema, convém também pensar em como se faz cinema. E o mérito de quem o faz, que é tremendo!

Contagem decrescente

25.Mai.2005

Depois de passados os dias necessários para se fazer o balanço de Cannes (e seria interessante que alguém que tenha acompanhado de perto o festival desse conta dos principais destaques deste ano aqui), as atenções dos cinéfilos começam a concentrar-se na contagem decrescente para o Festroia.O primeiro dia é já neste sábado, e terá como pratos fortes a apresentação dos Shooting Stars e a ante-estreia de Crash, um filme de Paul Haggis (argumentista de Million Dollar Baby) com Sandra Bullock, Matt Dillon, Don Cheadle, Brendan Fraser e muitos outros.

À mesma hora que Crash, passará no Charlot o filme italiano Certi Bambini, enquanto à meia-noite a escolha poderá ser feita entre Emboscada, filme finlandês que venceu o Festroia em 2000, e Banlieue 13, um filme de acção/ficção científica francês, cujo guião foi parcialmente escrito por Luc Besson.

Jean-Luc e François, ou os Beatles e os Stones do cinema

16.Mai.2005

É notável que o cinema e a música por vezes caminhem lado a lado sem se aperceberem. No inicio dos anos 60 explodiu em Inglaterra o chamado movimento pop (que muitos chamariam de rock ou de pop-rock), um movimento de jovens que durante anos ouviram, quase ás escondidas em caves escuras e terraços de prédios, aos poderosos albuns de nomes como Jonhie Lee Hooker ou Ray Charles, sem esquecer o mais branco dos negros, um tal de Elvis. Desses jovens alguns viraram musicos e desses musicos nasceram duas bandas fundamentais: os Beatles e os Stones.
No inicio, ambas as bandas caminhavam lado a lado. Tinham bebido nas mesmas fontes, trocavam musicas e batidas entre si, davam concertos juntos. Caminhavam alegremente rumo ao desconhecido. Depois veio o impacto da Beatlemania e da Stonemania (nunca ao mesmo nivel) e, de um momento para o outro, tudo mudou. Aqueles que caminhavam lado a lado decidiram seguir caminhos opostos. Uma banda radicalizou-se mais, foi procurar outras inspirações, outros sons e atmosferas. Outra centrou-se no que sempre fez e tornou-se numa instituição, uma verdadeira pedra amovivel. Nunca mais seriam os mesmos, nunca mais se tratariam da mesma forma. E quando um acabou, o outro pode voltar a respirar de alivio. Agora tinha o espaço todo para si, para se proclamar como o último mito vivo de uma era de adoradores de mitos do presente e do passado.
Serve isto para contar uma história de cinema que se desenrolou por essa altura e que tem semelhanças notáveis. Não se passou nas cavernas escuras de Londres, mas sim nas apertadas salas de cinema de Paris e nos escritórios de uma mitica revista chamada de Cahiers du Cinema. Não tinha melómanos, mas sim cinéfilos. E desses cinéfilos alguns se fizeram realizadores. E também eles de inicio beberam das mesmas fontes, não Hooker ou Charles, mas Hawks, Hitchock, Rosselini ou Renoir. Também eles trocaram ideias e argumentos no inicio. Também eles se publicitavam qual escola do elogio mutuo nos filmes de cada um. E também eles vingaram junto do público até ao momento em que viraram costas e nunca mais se voltaram a falar. Foi no Maio de 68, onde, apanhados desprevenidos em Cannes (aproveito para evocar o interessante certame deste ano) ambos perceberam que o destino já tinha estabelecido que iriam viver de costas voltadas para todo o sempre. Não foram procurar outros sons. Foram procurar outras formas de mostrar imagens. Um radicalizou-se, apeteceu-lhe extrapolar o que já tinha vindo a fazer ao longo de oito anos, descontruindo a narrativa, brincando com som e imagem como quem brinca com legos. Fazer do cinema algo absoluto. Outro quis olhar para o passado, já que “não tinha antenas para captar o futuro”. Amou os livros como amou o cinema e quis fazer cine-livros para o resto da sua vida.
Estes não se chamavam Beatles e Stones. Chamavam-se Jean-Luc Godard e François Truffaut. Um fez A Bout de Soufle, Une Femme Est Une Femme ou Pierrot le Fou. O outro assinou Quatrecents Coups, Jules et Jim e Deux Anglaise et le Continent. Ambos simbolizaram, cada um da sua maneira, a essência da Nouvelle Vague, a última grande escola artistica europeia. Ambos fizeram verdadeiras obras-primas, ainda hoje idolatradas por muitos amantes de cinema. Ambos mostraram ser imortais, tal como os seus congeneres musicais da época. Cada qual à sua maneira.
Como disse Jacques Rivette à época, “não espanta que Jean-Luc e François se tenham desentendido. O que espanta é que tenham demorado tanto tempo“. Tal como nos Beatles e nos Stones, também Jean-Luc e François faziam a mesma coisa de forma completamente diferente. Um privilegiava o enredo, os actores, o classicismo. Outro queria experimentar tudo, qual Álvaro de Campos da imagem, e usava tudo aquilo como desculpa para inovar, para atingir o máximo que o cinema lhe podia dar. Nenhum deles voltou a ter igual no panorama cinematográfico europeu. Um cinema que faz tanta falta. Uma escola que deixa saudades e que clama por sucessores, onde eles parecem não existir.
Por tudo isto, hoje continuam a ser mitos inesqueciveis. Um mito vivo e um mito morto. Jean-Luc continua a explorar. Truffaut morreu. A Cinemateca homenageia-o. O amantes do cinema também. Porque como ele nunca mais houve outro deste lado do Continente. Dizia-se que se definia uma pessoa musicalmente se ela fosse pelos Beatles ou pelos Stones. Também se pode fazer isso no cinema com Jean-Luc e François.
Se na música sou pelos Beatles, no cinema sou por Truffaut!

Cine-clube

16.Mai.2005

Para não ficar longe da vista de quem aqui chega (pois está nos comentários à entrada anterior), republico o repto lançado pelo Mário Ventura:

Será assim tão importante, pelo menos de momento, a questão do local onde instalar o Cine-Clube de Setúbal? Penso que não. O que importa é conseguir adesões, estabelecer o diálogo - através deste blog, por exemplo -, criar um endereço, e assim acertar ideias sobre o que se pretende. Depois, um espaço de encontro ou reunião pode ser solicitado ao departamento de Cultura da Câmara Municipal, que não deixará de resolver esse pequeno problema.
Um cinema para as sessões do Cine-Clube também não constitui problema. Tenho a certeza de que o Charlot poderá ser uma boa solução. Mas, para já, entendam-se e organizem-se: qual a finalidade do Cine-Clube? A quem se dirige? Que filmes pretende “ressuscitar”?
Ainda existem pessoas do antigo movimento cine-clubista, que podem dar sugestões e ensinamentos. Uma delas é o Henrique Espírito Santo, que durante o Festroia orienta o Atelier-Escola de Cinema no Museu do Trabalho. Falem com ele.
Em qualquer caso não deixem morrer a ideia. O Festroia criou um público novo, maioritariamente jovem, e o cine-clube pode dar uma contribuição importante à sua formação cultural.

Vamos lá a ver se há mais gente com vontade de levar a ideia avante. :-)

Sala de cinema precisa-se

12.Mai.2005

Faz falta a Setúbal mais uma sala de cinema.
As salas que temos - Forum Luísa Todi, Charlot e as quatro Castello-Lopes no Jumbo - não são suficientes para mostrar as novidades hollywoodescas que vão chegando e o restante cinema europeu e mundial que a Associação Festroia dá a conhecer.
E é por isso que demasiada gente faz quilómetros até Alcochete, Montijo e Almada para ver os filmes que lhe interessam…

Download legal de filmes

11.Mai.2005

Ao download de filmes na Internet costuma dar-se uma conotação ilegal, pois grande parte das vezes tal envolve o desrespeito pelos direitos de autor dos cineastas.
Porém, há locais na Internet onde é possível fazer download legal de filmes. Sejam eles de animação, como Gulliver’s Travels, de Max Fleischer, curtas-metragens, como estas de Charlie Chaplin, ou longas-metragens, como este thriller com Cary Grant e Audrey Hepburn.
Só falta mesmo o serviço de legendagem…