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O plano mágico

25.Mai.2005

Desde que me apaixonei pelo cinema - tinha 12 anos de idade e foi a ver aquela obra-prima de Howard Hawks a que chamaram Rio Bravo (e que sorte estrear-me assim) - que houve imensos planos e momentos que me apaixonaram de imediato. Com o passar dos anos fui aprendendo que afinal aquilo não era tão mágico como parecia à primeira vista. Mas houve um que se manteve imutável na minha mente desde a primeira vez que o vi.
Quando a camara se aproxima daqueles olhos azuis, depois do imenso contraste que a sua figura, branca e infima, se afundava na imensidão do deserto de areia, e ouvimos - ou lemos naqueles lábios tão marcantes - a mitica frase “Aqaba…from the land“, sabemos que estamos num filme de David Lean. Um filme com Peter O´Toole. Um filme chamado Lawrence of Arabia. Um filme inadjectivável!

Fazer cinema!

25.Mai.2005

Fazer cinema.
Quando se fala de cinema, fala-se em ver cinema. Em sentir cinema. Em analisar cinema. Em comentar cinema. Mas, e fazer cinema?
Parecendo que não - e falo não pelos inumeros making off que já vi, mas por experiência própria - mas fazer cinema é das coisas mais exaustivas e gratificantes que existem. A questão é que a gratificação só surge no final, após um imenso trabalho técnico, de campo, de coordenação, e, acima de tudo, de imenso sacrificio. E essa gratificação funciona como algo incompleto na maior parte das vezes. Nem sempre aquela cena fica como desejamos. Aquele plano saiu de campo. O actor enganou-se na entoação a dar àquela frase. Há sempre algo que falha, sempre algo que nos desanima. Por isso, quando somos criticos com os filmes que vemos, temos de ter também a noção do que se passa no outro lado. Das dificuldades do argumentista em criar uma história real, credivel, apaixonante. Dos problemas do realizador em filmar a sequência do ponto de vista certo para aquele momento. E do editor, esse trabalhador quase solitário, mas fundamental na transformação da ideia do argumentista, do sentimento do realizador, no resultado final que o público vai encontrar. Por isso ás vezes, quando se pensa em cinema, e se fala em cinema, convém também pensar em como se faz cinema. E o mérito de quem o faz, que é tremendo!

Contagem decrescente

25.Mai.2005

Depois de passados os dias necessários para se fazer o balanço de Cannes (e seria interessante que alguém que tenha acompanhado de perto o festival desse conta dos principais destaques deste ano aqui), as atenções dos cinéfilos começam a concentrar-se na contagem decrescente para o Festroia.O primeiro dia é já neste sábado, e terá como pratos fortes a apresentação dos Shooting Stars e a ante-estreia de Crash, um filme de Paul Haggis (argumentista de Million Dollar Baby) com Sandra Bullock, Matt Dillon, Don Cheadle, Brendan Fraser e muitos outros.

À mesma hora que Crash, passará no Charlot o filme italiano Certi Bambini, enquanto à meia-noite a escolha poderá ser feita entre Emboscada, filme finlandês que venceu o Festroia em 2000, e Banlieue 13, um filme de acção/ficção científica francês, cujo guião foi parcialmente escrito por Luc Besson.