Festroiablog.com

Óscares: qualidade e política

30.Mar.2006

Das inúmeras histórias relacionadas com os Óscares, há uma que me agrada particularmente, e que diz respeito ao nome do próprio galardão. Porquê Óscar?…

Há cerca de oitenta anos, a estatueta recém-criada foi colocada sobre uma mesa nos estúdios da Warner, à espera que alguém decidisse adoptá-la como troféu dos próximos prémios de Cinema. Uma garotinha que por ali andava, ao ver o homem do gládio - então apenas uma escultura sem grandes méritos artísticos -, aproximou-se da secretária e perguntou a uma funcionária: O que é isto?

O melho que podia, a funcionária lá lhe explicou que era a proposta de um artista para configurar o prémio que a comunidade cinematográfica se preparava para atribuir aos seus melhores. A garota ouviu, reflectiu e respondeu:

- Que engraçado, parece mesmo o meu tio Óscar.

Horas depois, já aprovada a estatueta, alguém inquiriu, por estas palavras ou outras semelhantes:

- E que nome vamos dar a este mamarracho?…

A funcionária que trouxera a estatueta, e que dialogara com a menina curiosa, avançou e disse, timidamente:

- Óscar.

E Óscar ficou para todo o sempre…

Foi este mesmo pragmatismo que uma vez mais se afirmou, agora na sessão de atribuição dos Óscares aos melhores do último ano. Pela primeira vez em muito tempo, três filmes de tese colocaram-se na primeira fila das preferências. A qualidade das três obras era idêntica, pelo que nesse aspecto não haveria problemas de consciência, qualquer que fosse a escolha. Ou seja, a decisão seria temática, e por consequência política.

E assim, entre um filme sobre a homossexualidade, que feria os pruridos do “sistema” hollywoodesco, e um outro sobre perseguições políticas, que poderia ofender os homens de Bush, a escolha recaiu no racismo, que apesar de tudo é um problema com que a América sempre lidou melhor. Com o “Crash”, de Paul Haggis, um grande filme para um grande tema, todos ficaram contentes…

Links para a coluna da direita

17.Mar.2006

Quem quiser recomendar links sobre cinema para entrarem na coluna da direita, é só deixá-los na caixa de comentários.

O regresso de Crash

09.Mar.2006

Após ter recebido o Oscar de Melhor Filme, Crash vai regressar a Setúbal entre 16 e 22 de Março.

Desta vez, a sala em que ele poderá ser visto é a do Auditório Municipal Charlot, ao contrário do que aconteceu em 2005, quando foi o Forum Municipal Luísa Todi a acolher a ante-estreia do filme do canadiano Paul Haggis por terras portuguesas, no dia de abertura do 21º Festroia.

Até ao regresso de Crash, o Charlot exibe Match Point, de Woody Allen. Quando Crash se for embora, será a vez de Syriana e de outros filmes “oscarizados”.

ACTUALIZAÇÃO: Parece que Match Point anda a conquistar o público por cá, a ponto de merecer mais uma semana de exibição. Assim sendo, Crash passou para a semana de 23 a 29 de Março.

Prémio internacional vem para o Festroia

06.Mar.2006

O FESTROIA – Festival Internacional de Cinema de Setúbal, cuja 22ª edição se realiza de 2 a 11 de Junho próximo, acaba de ser escolhido pela Confederação Internacional dos Cinemas de Arte e Ensaio (CICAE) para nele ser atribuído o prémio com que anualmente distingue e apoia um filme de grande qualidade artística e humanista.

A escolha do FESTROIA para a atribuição deste galardão anual deve-se ao reconhecimento da qualidade artística e criativa dos filmes habitualmente exibidos neste festival.

A CICAE, que foi fundada em 1955, visa a cooperação internacional das federações ou associações dos Teatros Cinematográficos de Arte e Ensaio, agindo junto das autoridades nacionais para que apoiem e reconheçam o cinema de Arte e Ensaio; promove a circulação de obras cinematográficas, de qualidade, nos países aderentes; e leva a cabo uma acção cultural visando aumentar as audiências junto do público, e estimular a produção.

Presentemente, a CICAE integra mais de 400 salas de arte e ensaio em 18 países de quatro continentes. Em Portugal, apenas três salas são reconhecidas pela organização, uma das quais o Auditório Charlot, em Setúbal, onde decorre uma parte da programação do FESTROIA.

Na próxima edição do Festival, em Junho, o júri CICAE atribuirá assim o primeiro Prémio de Arte e Ensaio no FESTROIA. O filme distinguido beneficiará da acção promocional Cinediversité, que consiste em apoiar a sua exibição nas salas de cinema, principalmente na área da Alemanha, França e Itália.

Além da recomendação a todas as salas, colocação de cópias, informação ao público, etc., a CICAE fará ainda a promoção do filme premiado junto dos distribuidores e de numerosos festivais. Paralelamente, a CICAE desenvolve acções de formação na Europa e África.

Com a criação deste prémio, o Festroia – único festival que divulga em Portugal cinematografias praticamente desconhecidas do nosso público - fica em condições de apoiar ainda mais a difusão internacional das obras em competição, provenientes de países que não produzem mais de 30 filmes por ano.