Das inúmeras histórias relacionadas com os Óscares, há uma que me agrada particularmente, e que diz respeito ao nome do próprio galardão. Porquê Óscar?…
Há cerca de oitenta anos, a estatueta recém-criada foi colocada sobre uma mesa nos estúdios da Warner, à espera que alguém decidisse adoptá-la como troféu dos próximos prémios de Cinema. Uma garotinha que por ali andava, ao ver o homem do gládio - então apenas uma escultura sem grandes méritos artísticos -, aproximou-se da secretária e perguntou a uma funcionária: O que é isto?
O melho que podia, a funcionária lá lhe explicou que era a proposta de um artista para configurar o prémio que a comunidade cinematográfica se preparava para atribuir aos seus melhores. A garota ouviu, reflectiu e respondeu:
- Que engraçado, parece mesmo o meu tio Óscar.
Horas depois, já aprovada a estatueta, alguém inquiriu, por estas palavras ou outras semelhantes:
- E que nome vamos dar a este mamarracho?…
A funcionária que trouxera a estatueta, e que dialogara com a menina curiosa, avançou e disse, timidamente:
- Óscar.
E Óscar ficou para todo o sempre…
Foi este mesmo pragmatismo que uma vez mais se afirmou, agora na sessão de atribuição dos Óscares aos melhores do último ano. Pela primeira vez em muito tempo, três filmes de tese colocaram-se na primeira fila das preferências. A qualidade das três obras era idêntica, pelo que nesse aspecto não haveria problemas de consciência, qualquer que fosse a escolha. Ou seja, a decisão seria temática, e por consequência política.
E assim, entre um filme sobre a homossexualidade, que feria os pruridos do “sistema” hollywoodesco, e um outro sobre perseguições políticas, que poderia ofender os homens de Bush, a escolha recaiu no racismo, que apesar de tudo é um problema com que a América sempre lidou melhor. Com o “Crash”, de Paul Haggis, um grande filme para um grande tema, todos ficaram contentes…


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