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Filmes de 30 países concorrem ao 22º Festroia

05.Abr.2006

Satyajit RayA cerca de dois meses do seu início, o 22º Festroia, que se realiza de 2 a 11 de Junho – em Setúbal, Almada e Lisboa –, tem praticamente concluída a programação das suas duas secções principais: Oficial e Primeiras Obras. Ambas representam 30 países, o que constitui um dos mais elevados índices de diversidade cultural até hoje alcançados nesta manifestação.

Na programação do Festroia – Festival Internacional de Cinema de Setúbal – destaca-se este ano um grande acontecimento cinematográfico. Trata-se de uma retrospectiva de homenagem ao realizador indiano Satyajit Ray, falecido em 1992, e que é unanimemente considerado como o criador do moderno cinema do seu país.

Construindo a sua originalidade à margem dos grandes centros de produção cinematográfica da Índia, de entre os quais sobressai o hiper-produtivo Bollywood, Satyajit Ray afirmou muito cedo uma personalidade própria e tornou-se mundialmente admirado, sendo o realizador indiano mais premiado de sempre, com uma galeria de prémios em que se destacam um Óscar de carreira, os Ursos de Ouro e de Prata do Festival de Berlim, o grande prémio do festival de Moscovo, dois prémios Golden Gate do Festival de San Francisco, o prémio de consagração do Festival de Tóquio, por duas vezes o Leão de Ouro de Veneza, além de um sem número de outros prémios em festivais de todo o mundo. Não menos assinalável, é o facto de Satyajit ter sido votado, pelo “Entertainment Weekly”, como um dos 25 maiores realizadores de cinema de sempre.

Pelo carácter excepcional da obra de Satyajit Ray, que ainda hoje é alvo de incondicional admiração, justifica-se a homenagem que o Festroia decidiu prestar-lhe, precisamente quando se assinala o cinquentenário de “Pather Panchali”, seu primeiro filme e uma das obras mais famosas que realizou.

Para participar neste acontecimento, desloca-se ao Festroia o filho de Satyajit, Sandip Ray, também realizador e argumentista, que receberá um prémio de consagração dedicado ao conjunto da obra de seu pai, e que aproveitará a ocasião para apresentar o seu último filme, “Nishijapon”, recém-concluído.

Os filmes de Satyajit Ray seleccionados para esta mostra de entre as várias dezenas que realizou, tiveram em conta não apenas a sua qualidade, mas também a temática original que caracteriza o conjunto da sua obra, e marca de forma determinante os seus filmes principais, de entre os quais serão exibidos os seguintes: “The Big City” (1963), “The Lonely Wife” (1964), “The Coward” e “The Saint” (1965), “The Hero” (1966) e “The Elephant God” (1978).

Em simultâneo com a retrospectiva do famoso realizador, o Festroia apresentará uma mostra do moderno cinema indiano, constituída por obras de autores que de alguma forma entroncam na herança criativa de Satyajit Ray.

Presentemente, a divulgação da sua obra conhece um grande incremento em todo o mundo, o que em parte se deve ao cinquentenário do seu primeiro filme, e à necessidade de perpetuar uma obra que não envelheceu. Além de numerosas actividades promovidas pela Satyajit Ray Film and Study Collection, da Califórnia, multiplicam-se as iniciativas, em todo o mundo, não só para salvar ou preservar os negativos dos seus filmes, mas também para desenvolver acções que dêem a conhecer uma obra prodigiosa às novas gerações. É a melhor forma de homenagear um criador de quem o grande realizador japonês Akira Kurosawa disse um dia: “Não ter visto os filmes de Ray, é ter vivido no mundo sem ver nunca a lua e o sol”.

Para mais informações: www.satyajitray.org