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Joaquim de Almeida homenageado no Festroia

30.Mai.2006

Joaquim de AlmeidaO actor Joaquim de Almeida vai ser homenageado pelo Festroia, cuja 22ª edição tem início na próxima sexta-feira, dia 2.

O actor, que se encontra em Espanha a participar nas rodagens do seu novo filme, desloca-se a Setúbal no último fim de semana do Festival, a fim de receber o Golfinho de Ouro, como tributo de apreço pela sua já vasta e diversificada carreira.

Joaquim de Almeida participou até à data em mais de oitenta filmes e séries de televisão, realizados em vários países, como a Argentina, Espanha, México, Brasil, Estados Unidos e, obviamente, Portugal, e foi premiado por diversas vezes, nomeadamente no Festival de Cinema do Cairo, pela sua interpretação no filme “Retrato de Família” (1992). A sua notoriedade consolidou-se em filmes como “Afirma Pereira” (1996), “Desperado” (1995), “Good Morning, Babylon” (1987), “The Honorary Consul” (1983) ou “The Soldier” (1982).

Visando muito cedo a carreira de actor, saiu de Portugal quando tinha 18 anos, vivendo então em Viena de Áustria, onde chegou a desempenhar vários ofícios para poder custear os seus estudos. Mais tarde, em Nova Iorque, recorreu igualmente a várias ocupações, a fim de pagar o curso no Actor’s Studio. Posteriormente, transferiu-se para Santa Mónica, na Califórnia, onde fortaleceu a sua ligação aos estúdios de Hollywood. Actualmente desenvolve uma actividade ininterrupta: além das filmagens que estão a decorrer em Espanha, tem outros dois filmes em pós-produção, e um quarto já projectado para 2007.

Durante a sua permanência no Festroia, Joaquim de Almeida dará uma conferência de imprensa e receberá ainda outras distinções, descerrando também no Fórum Luísa Todi uma placa assinalando a sua presença.

Independentes Americanos na 22ª edição do Festroia

26.Mai.2006

Seguindo uma tradição que conta mais de quinze anos - e apenas foi interrompida no ano em que o Festroia não recebeu apoio do Ministério da Cultura -, os independentes americanos voltam a estar presentes na 22ª edição do Festival, que começa em Setúbal, Almada e Lisboa no dia 2 de Junho. Este ano são seis os filmes que constituem a mostra, seleccionados nas áreas de produção de Nova Iorque e da Califórnia, com uma breve passagem pelo Sundance, onde a tradicional independência produtiva tem sofrido alguns embates sérios nos últimos anos.

A popularidade de que os filmes independentes norte-americanos gozam no Festroia, sobretudo entre os espectadores mais jovens, não parece fácil de explicar, embora tenha que ver em parte com a oposição diametralmente oposta em que se colocam relativamente à indústria de Hollywood. Com efeito, colocado nos antípodas da grande produção, o cinema independente ocupa-se mais dos comportamentos humanos, com algumas preocupações de introspecção, e nisto se parece por vezes com o cinema europeu.

Este ano, o Festroia seleccionou algumas películas que, na sua maioria, já receberam o reconhecimento público em diversos festivais de cinema. “The War Within” (A Guerra Interior), de Joseph Castelo, foi nomeado para os Independent Spirits Awards e Satellite Awards, e trata da crise de consciência de um terrorista paquistanês que prepara um ataque a Nova Iorque. “Flanell Pajamas” (Pijama de Flanela), de Jeff Lipsky, apresentado no Sundance, narra a crónica amorosa de Stuart e Nicole, desde o dia em que se apaixonaram até ao dia em que a relação se esgota. “Room” (O Armazém), de Kyle Henry, nomeado para os Independent Spirit Awards e John Cassavetes Award. Trata de uma mulher que é assaltada por estranhas visões, que a levam em busca de um misterioso local. Mas também na secção de Primeiras Obras se pode encontrar um independente americano. Intitula-se “Sweet Land” (Minha Terra), de Ali Selim, já galardoado com o prémio do público do Hamptons International Film Festival. “212”, de Anthony Ng, e “Things that hang from trees”, de Ido Mizrahi, são também filmes a considerar.

O primeiro filme do Iraque ocupado

24.Mai.2006

Uma das surpresas do 22º Festroia – que começa no dia 2 de Junho, em Setúbal, com extensões em Almada e no Monumental em Lisboa – reside numa primeira obra do Iraque, co-produzida com a Inglaterra e a Holanda, e já realizada depois do derrube de Sadam Hussein. Trata-se de “Ahlaam”, dirigido por Mohamed Al-Daradji, o qual, durante os 55 dias em que decorreram as filmagens, passou por peripécias incríveis, com ataques de ambos os lados da contenda, incluindo ataques de pilotos americanos.

Apesar da protecção garantida pela polícia iraquiana, os riscos foram constantes, e a produção viu-se forçada a escrever o seguinte apelo no solo do cenário militar propositadamente montado para as filmagens: “Caros pilotos de Apache: por favor, antes de tomarem decisões, saibam que nós não somos terroristas, somos apenas cineastas tentando reconstruir a arte e a cultura do Iraque”. Apesar disto, ao terceiro dia de trabalho um helicóptero Apache aproximou-se e começou a metralhar o local, obrigando à retirada da equipa. Só um pouco mais tarde, quando surgiu um segundo Apache, os pilotos decidiram ler o aviso, deixando finalmente em paz a equipa de filmagens.

Também não faltaram os problemas políticos, pois os autores do filme, já em fase de conclusão, foram suspeitos de querer fazer propaganda contra a coligação. O problema só foi ultrapassado quando o embaixador e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Holanda intervieram junto do departamento de estado norte-americano.

É o resultado desta odisseia cinematográfica que o Festroia vai apresentar em competição na sua 22ª edição, como um exemplo de que as ameaças e os riscos nem sempre conseguem vencer a luta pela cultura. Resta dizer que o filme, que está a fazer um circuito impressionante de festivais por todo o mundo, se baseia na história de três internados de um hospital de doenças mentais em Bagdad. Muito a propósito, por certo, no país em que se tornou o Iraque.

Festival de Tribeca distingue argentino

15.Mai.2006

“Iluminados por el fuego”, do realizador argentino Tristan Bauer, seleccionado para a 22ª edição do Festroia, acaba de receber em Nova Iorque o prémio para o melhor filme, atribuído pelo Festival de Cinema de Tribeca, fundado pelo actor Robert de Niro.

Trata-se de uma película sobre os acontecimentos da guerra das Malvinas, vistos pelos olhos de um homem de 40 que foi mobilizado para o conflito quanto tinha 18 anos, e aí viveu todo o dramatismo e crueldade de uma guerra sem sentido.

O filme de Tristan Bauer, que já conquistara vários galardões, entre eles o Goya para a melhor película estrangeira, será assim um sério concorrente na secção oficial do 22º Festroia, em que concorrem filmes de trinta países, entre os quais o esloveno “Gravehopping”, de Jan Cvitkovic detentor de vários prémios internacionais; o dinamarquês “Chinaman”, de Henrik Ruben Genz; o polaco “The Collector”, de Feliks Falk; o chileno “En la cama”, de Matiaz Bize; ou o norueguês “Factotum”, de Bent Hamer.

Robert de Niro criou o Festival de Tribeca, juntamente com a produtora Jane Rosenthal, para revitalizar a “Zona Zero”, depois dos acontecimentos do 11 de Setembro.