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Mentor do Festroia faleceu hoje

16.Jun.2006

Mário Ventura (1936-2006)

Mário Ventura Henriques, que em 1985 fez nascer o Festroia, faleceu hoje, vítima de doença súbita, no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, aos 70 anos.

Além do empenho que sempre colocou à frente do Festival Internacional de Cinema, Mário Ventura dedicou vários anos ao trabalho jornalístico em Portugal e Espanha e foi autor de uma obra literária com mais de 15 volumes, que inclui contos, romances, álbuns e livros de memórias.

Como jornalista, Mário Ventura Henriques trabalhou no “Diário Popular” e no “Diário de Notícias”, pertenceu ao conselho de redacção da revista “Seara Nova”, dirigiu o semanário “Extra” e chefiou a agência noticiosa Europa Press. A partir de 1968 foi correspondente da imprensa espanhola, função que abandonou nos anos 90, tendo chegado a dirigir a edição portuguesa da “Cambio 16”.

No plano literário, fez a sua estreia com “A Noite da Vergonha”, publicado em 1963, seguindo-se “À Sombra das Árvores Mortas” (1966) e “O Despojo dos Insensatos” (1968).

Reuniu depois, nos volumes “Alentejo Desencantado” (1969) e “Morrer em Portugal” (1976), narrativas sobre várias regiões do país, tendo regressado ao romance em 1979 com “Outro Tempo Outra Cidade”, a que se seguiu, seis anos mais tarde, em 1985, “Vida e Morte dos Santiagos”, que venceu o Prémio de Ficção do Pen Clube e o Prémio Literário do Município de Lisboa.

O escritor publicou ainda “Conversas” (1986), uma colectânea de diálogos com escritores, os romances “Março Desavindo” (1987) e “Évora e os Dias da Guerra” (1992), este último vencedor de um novo prémio do Pen Clube.

Presidente da Associação Portuguesa de Escritores no início da década de 1990, assinou igualmente “A Revolta dos Herdeiros” (1997), “O Segredo de Miguel Zuzarte” (1999), “Quarto Crescente” (memórias, 2001) e o álbum “Portugal – Geografia do Fatalismo”.

Em 2002 lançou “Atravessando o Deserto” e, no ano seguinte, viu sair uma reedição de “A Noite da Vergonha”, para assinalar os 40 anos da sua vida literária. Um novo romance, “O Reino Encantado”, chegou em 2005, ano em que foi reeditada “Vida e Morte dos Santiagos”, assinalando as duas décadas da publicação original da obra.

O corpo de Mário Ventura será trasladado para a igreja de S. Paulo, em Setúbal, de onde sábado, dia 17, sairá às 16 horas o funeral para o cemitério de Nossa Senhora da Piedade, na mesma cidade.

1 comentário até ao momento

É com profunda emoção que envio as minhas condolências família do Mário Ventura, bem como aos seus amigos próximos. Faço votos de que a cidade a quem Mário Ventura deixou este extraordinário legado cultural - o Festróia - saiba cuidar da sua manutenção e desenvolvimento. Envio também um comovido abraço aos restantes responsáveis dos Festróia para que mantenhama coragem e o espírito de sacrifício que, ainda em maior quantidade, serão necessários para a digna tarefa de manter vivo e em crescimento esta criação do Mário Ventura.



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