Aparte do pretensionismo do nome, o Clube de Cinema de Setúbal tenta, claramente, suprir as lacunas cinematográficas de Setúbal. Uma cidade que é capital de distrito e que apenas tem uma sala e meia de cinema, mais uma amostra de multiplex, ressente-se claramente no que diz respeito a uma programação de cinema saudável: os filmes demoram a cá chegar e outros acabam por não terem espaço para estrear.
O Clube de Cinema não vem salvar a situação, mas acaba por oferecer uma modesta alternativa. Com os seus ciclos temáticos recupera clássicos, exibe fitas pouco conhecidas e recorda outras que passaram despercebidas. Além disso, tenta contextualiza-los ao convidar os próprios realizadores e outras personalidades pertinentes.
As condições da sala não são as melhores, é certo, mas quem está familiarizado com a realidade setubalense, facilmente compreende a situação. E essa cumplicidade aumenta a familiaridade das sessões, que favorecem as tertúlias finais e a discussão dos filmes que acabaram de ser projectados.
O preço também não é significativo, é apenas simbólico e apenas serve para suprir as despesas inerentes. Por isso, com mais ou menos pretensão, com mais ou menos condições, o Cllube de Cinema de Setúbal parece-me ser uma válida alternativa cinematográfica na nossa cidade.
Já agora, aproveito para recordar que na sessão de hoje estará presente o realizador Diogo Camões, para apresentar o seu documentáro “Morrer”, premiado nos festivais de Vila do Conde e do Fundão, no ano passado.; e amanhã será a vez de José Barahona, realizador já distinguido no Fantasporto e no Festival Caminhos do Cinema Português de Coimbra, que virá falar dos seus filmes “Pastoral” e “Quem É Ricardo?” E para quem não sabe, aproveito também para dizer que as sessões acontecem todas as sextas e sábados, pelas 21h30, no IPJ, sito no Largo José Afonso.
PS - quanto ao Festróia que se avizinha, posso adiantar que desconfio que vai ser o melhor de sempre

