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Clube de Cinema de Setúbal

27.Abr.2007

Aparte do pretensionismo do nome, o Clube de Cinema de Setúbal tenta, claramente, suprir as lacunas cinematográficas de Setúbal. Uma cidade que é capital de distrito e que apenas tem uma sala e meia de cinema, mais uma amostra de multiplex, ressente-se claramente no que diz respeito a uma programação de cinema saudável: os filmes demoram a cá chegar e outros acabam por não terem espaço para estrear.

O Clube de Cinema não vem salvar a situação, mas acaba por oferecer uma modesta alternativa. Com os seus ciclos temáticos recupera clássicos, exibe fitas pouco conhecidas e recorda outras que passaram despercebidas. Além disso, tenta contextualiza-los ao convidar os próprios realizadores e outras personalidades pertinentes.

As condições da sala não são as melhores, é certo, mas quem está familiarizado com a realidade setubalense, facilmente compreende a situação. E essa cumplicidade aumenta a familiaridade das sessões, que favorecem as tertúlias finais e a discussão dos filmes que acabaram de ser projectados.

O preço também não é significativo, é apenas simbólico e apenas serve para suprir as despesas inerentes. Por isso, com mais ou menos pretensão, com mais ou menos condições, o Cllube de Cinema de Setúbal parece-me ser uma válida alternativa cinematográfica na nossa cidade.

Já agora, aproveito para recordar que na sessão de hoje estará presente o realizador Diogo Camões, para apresentar o seu documentáro “Morrer”, premiado nos festivais de Vila do Conde e do Fundão, no ano passado.; e amanhã será a vez de José Barahona, realizador já distinguido no Fantasporto e no Festival Caminhos do Cinema Português de Coimbra, que virá falar dos seus filmes “Pastoral” e “Quem É Ricardo?” E para quem não sabe, aproveito também para dizer que as sessões acontecem todas as sextas e sábados, pelas 21h30, no IPJ, sito no Largo José Afonso.

PS - quanto ao Festróia que se avizinha, posso adiantar que desconfio que vai ser o melhor de sempre

300, de Zack Snyder

23.Abr.2007

Parece que existe uma espécie de fenómeno junto à crítica cinematográfica especializada(?) portuguesa. É que todos os filmes que se transformam em fenómeno lá por fora, acabam por ser arrasados pelos críticos em Portugal. Lembro-me por exemplo de “Borat”, a desmiolada comédia que fez furor por todo o lado e que no nosso país foi acusado de ser anti-cinema.

O mesmo aconteceu com “300″, a adaptação de Zack Snyder da graphic-novel (nome mais sério que se dá às bandas-desenhadas) homónima de Frank Miller, que depois de ter sido um êxito de bilheteira lá fora, foi corrida a bolinhas pretas por quase tudo o que era órgão de comunicação da especialidade. Em suma, justificam-no pelo facto de ser um filme unidimensional, sem profundidade nas personagens nem tão-pouco no argumento. É inconcebível para essas pessoas o puro estatuto de filme de entretenimento; e ainda mais incocebível que o entretenimento se possa fazer com um nível gráfico de violência exagerado e estilizado.

<>Claro que tudo isto são opiniões e, como tal, respeito-as a todas, apesar de não concordar com elas. Agora confesso que me faz espécie os outros adjectivos com que tem sido acusado o filme, quase por todo o lado. Chamam-no de pró-americano, de apoiar e justificar a invasão norte-americana ao Irão, de ser xenófabo e racista. Às pessoas que pensam isto só posso acha-las demasiado imaginativas e radicais.

É que não consigo perceber como é que a mesma pessoa que acha o filme sem profundidade dramática ou histórica relevante, consegue considera-lo com espessura suficiente para fazer propaganda política? Parece-me algo paradoxal, não?

300

O cinema na RTP

19.Abr.2007

Algo se passa ultimamente com a programação da RTP, no que diz respeito ao cinema. Não sei o que é, mas eu gosto. Não sei se é algum nome novo no organigrama interno que escolhe os filmes que vão passar, não sei se é apenas uma táctica nova… O que sei é que a programação cinematográfica da RTP está boa de saúde e recomenda-se.

O canal 2 já vinha a portar-se bastante bem nesse campo, desde que há uns anos atrás foi remodelado, principalmente ao sábado à noite. Também a RTP Memória tem sido um canal a reter, com alguns filmes históricos de valor, que passam entre as maratonas do futebol e de “O Império De Carson” (quanto a vocês não sei, mas sempre faço um zapping por lá está a dar uma destas duas coisas). Mas agora, a própria casa mãe também se tornou numa alternativa respeitável no que compete ao cinema, lembrando-se, quiçá, da sua função de serviço público.

Não sei há quanto tempo é que este cenário acontece, eu só dei conta para aí há 15 dias, mas foi tempo suficiente para ficar espantado. É que vivemos num país com uma realidade televisiva tão má que quando estes minúsculos fenómenos acontecem ficamos, automaticamente, fascinados.

Todos os dias, sempre à mesma-hora (quer dizer, mais ou menos, com uma tolerância de 10 minutos, ali por volta da 1 da manhã), a RTP tem exibido muitos e bons filmes. A semana passada foi dedicada ao western e, por entre os clássicos do John Ford e do Anthony Mann, a programação surpreendeu com a inclusão de “Balbúrdia No Oeste”, a hilariante paródia ao género de Mel Brooks.

E o último exemplo de serviço público aconteceu na noite de ontem, com a projecção do primeiro desastre da Bo Derek, “Tarzan, O Homem Macaco”. Qual era a probabilidade de num passado recente vermos na televisão portuguesa um filme deste calibre? Um mau bom filme lendário como este, só comparado às obras-primas de Ed Wood, por exemplo?

Eu não sei o que se passa com a RTP, mas o que é certo é que não estava tão satisfeito com a sua programação cinematográfica desde que o António Pascoalinho estava lá, a passar filmes de zombies em pleno sinal público.

O primeiro post da nova vida

16.Abr.2007

É este o texto que marca o início regular da actividade deste espaço, o blogue oficial do Festróia. Se isto será bom ou mau, só o tempo o dirá. Agora o que é certo é que era inevitável. E por várias razões.

Principalmente, porque não faz sentido haver este espaço vazio e semi-moribundo durante quase todo o ano, para só acordar durante os dias do festival. Até porque o Festróia não se passa só numa semana; o festival vive todo o ano e durante 365 várias pessoas trabalham nos bastidores para que tudo corra como nós depois vemos.

Assim, aceitei com muito gosto e orgulho o convite que me fizeram para que fosse uma das vozes regulares do blogue (haverão outras entretanto, podem respirar de alívio). Aliás, uma das coisas que distingue este blogue da maioria dos demais é estar aberto à participação de todos. Basta registarem-se lá em cima, no canto direito, e ficam com a possibilidade de escreverem o que bem vos apeteça. É a isto que se chama democracia e liberdade de expressão.

Por isso, já sabem. A partir de agora podem passar regularmente por aqui, porque haverão certamente coisas para falar. E não só sobre cinema, garanto.