Festroiablog.com

David Lynch

14.Mai.2007

Certa vez, alguém descreveu “Mulholland Drive” como uma experiência de David Lynch onde ele partiu o tubo de ensaio. Em “INLAND EMPIRE”, Lynch atirou o material do laboratório todo pela janela.

 
Os admiradores de David Lynch dividem-se em três grupos, que eu irei passar a enunciar:

a) o primeiro grupo engloba todos os resignados, que vão para a sala de cinema conformados com o facto de que não vão perceber nada do filme. Vão apenas para disfrutar sensorialmente do filme. Acreditam que David Lynch gosta de fazer filmes esquisitos apenas para serem esquisitos. Não gosto desta atitude derrotista e, por isso, é o grupo com o qual menos me identifico;

b) o segundo grupo abraça todos aqueles que vão para a sala de cinema em pulgas, adivinhando que dali vai sair o seu próximo filme favorito. Sabem que Lynch é um génio subversivo e que se esforçam em criar um sentido para o filme, elaborando teorias mirabolantes, incluindo inclusive elementos que nem sequer aparecem no ecrã. Elaboram ideias com piratas, duendes verdes e outras situações esquisitas. Simpatizo com este grupo pela sua capacidade romântica de interpretar David Lynch, mas também não me insiroo nele;

c) por fim, o terceiro e último grupo, é o grupo dos admiradores pragmáticos, aqueles que acreditam piamente que David Lynch não é um tipo assim tão esquisito quanto aparenta ser. Se fosse, talvez não tivesse uma vida social como a dele, não é verdade? Estes admiradores são aqueles que acreditam que todos os filmes de Lynch têm uma explicação razoável, um fio condutor convencional, que depois o realizador subverte, distorce e amanha segundo as suas perversões.

É neste terceiro grupo em que me incluo e, talvez por isso, explique porque tenha achado “INLAND EMPIRE” um filme relativamente simples no que diz respeito ao seu fio condutor. Claro que devo estar errado, mas comparado com “Mulholland Drive” ou “Lost Highway”, por exemplo, este fez-me muito mais sentido.