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DIA 3 (a minha visão das coisas)

04.Jun.2007

MADRIGAL (Secção Oficial)

Poderá sair do Festróia sem nenhum prémio na carteira (o que é o mais provável), mas há uma disitnção da qual “Madrigal” já não se safa: a de filme mais estranho desta edição (e da anterior, e da anterior à anterior, e da anterior à anterior à anterior…).

Haverá algo pior para um actor de teatro do que ter apenas um espectador na noite de estreia da sua peça? Aparentemente não, mas há: se esse espectador abandonar a peça a meio. É isso que acontece a Javier (Carlos Enrique Almirante) e que dá o pontapé de saída para “Madrigal”.

Normalmente, os filmes partem da realidade para a reflexão; contudo, “Madrigal” faz uma inversão da equação e parte antes da reflexão para a realidade. “Madrigal “são duas histórias que se cruzam: uma metáfora gigante à situação política cubana (principalmente, na segunda metade do filme, quando se transforma numa distopia erótica de ficção-científica), que tem como linha orientadora uma história de amor e como pontos-comuns uma peça de teatro - pertinentemente intitulada “Os Cegos” - e um livro que Javier está a escrever.

Sempre envolto numa aura negra, de escuridão, fumo e chuva, “Madrigal” faz lembrar por vezes um filho menor de David Lynch. No entanto, enquanto que em “Mulholand Drive”, por exemplo, às vezes estamos a ver coisas que não entendemos mas que ficamos com a sensação de que assistimos a algo importante, em “Madrigal” isso nunca acontece. A ideia que nos passa é que tudo é, praticamente, irrelevante. Além disso, existe um piano que toca de forma sombria a cada cinco minutos, o que nos faz, gradualmente, começar a querer despedaçar com uma marreta as colunas da sala de cinema.

A melhor parte de “Madrigal” é, sem dúvida, a segunda metade, a tal distopia erótica onde o sexo é obrigatório e, consequentemente, uma ditadura. Visualmente apelativa, com uma degradância romântica, faz ainda um paralelismo com a primeira metade do filme, apesar de a mensagem final ser igualmente irrelevante.

“Madrigal” não é nem bom nem mau filme. É… diferente.

CULTURE BOY (Independentes Americanos)

Para quem pensa que o cinema gay é só música disco manhosa, homens em tronco nu e sensibilidade cor-de-rosa, eis um retrato psico-sociológico de um triângulo amoroso, para conferir aqui.

O CAMINHO DE SÃO DIEGO (Secção Oficial)

Eis o regresso de Carlos Sorin ao Festróia. E pela inspiração do filme, desconfio que voltará a sair de Setúbal com mais algum prémio na bagagem.