Festroiablog.com

Acabou-se a música

06.Jun.2007

«El Violin», do mexicano Francisco Vargas Quevedo, passou ontem na secção Primeiras Obras do Festroia. O filme faz um recuo temporal aos anos 70, mostrando a luta travada entre os camponeses (pela sobrevivência) e os militares (pelo poder total). Don Plutarco (Don Ángel, num registo de excelência) é um velhote com muito estilo, tocador de violino, que ganha a vida como músico viajante levando consigo o filho e o neto. Por detrás desta aparência artística, o trio fornece armas e mantimentos à guerrilha que tenta fazer frente ao regime.

Imerso numa melancolia a preto e branco e com uma fotografia assombrosa, «El Violin» mostra como muitas vezes a beleza e a arte são impotentes perante os desígnios dos deuses do ódio e da inveja. Mesmo com algumas pinceladas extras de dramatismo, o espectro da telenovela mexicana não mora aqui. Uma boa estreia do realizador Francisco Vargas nas aventuras de longa-duração.

DIA 5 (a minha visão das coisas)

06.Jun.2007

JUVENTUDE TARDIA (Secção Oficial)

Se me perguntarem o que eu gostaria de fazer se chegar aos 70 anos, a minha resposta será, concerteza, conseguir ir à casa-de-banho sozinho. No entanto, para Stephanie Glaser e Monica Gubser, as duas actrizes septagenárias que subiram ao palco para apresentarem “Juventude Tardia”, esta deve ser a menor das suas preocupações. Que agradável é ver tamanha lucidez e vivacidade em pessoas com tantas primaveras de vida.

“Juventude Tardia” é um filme que aborda de frente essa vontade viver; um filme para toda a família, que promove os valores morais e passa a mensagem de que nunca é tarde para perseguirmos os nossos sonhos. Sejam eles quais forem. Tivesse sido realizado nos Estados Unidos e “Juventude Tardia” teria, certamente, o selo da Disney.

Martha (Stephanie Glaser) ficou viúva. As amigas dizem que tem que seguir a sua vida, para não se ir abaixo. E a cowgirl Lisi (Heidi Maria Glössner) desafia-a mesmo a abraçar o seu sonho de longa data: abrir uma loja de lingerie. No entanto, Martha terá que enfrentar os olhares acusadores e desrespeitosos da conservadora comunidade da sua aldeia perdida no interior da Suiça, nomeadamente o padre (Hanspeter Müller) e o presidente da câmara (Peter Wyssbrod).

“Juventude Tardia” é uma espécie de “Thelma E Louise” da terceira idade, um filme de bom coração, que nos faz rir e chorar. Sem dúvida que daria uma excelente sessão domingueira nas tardes de um qualquer canal da nossa televisão pública.

CIDADE FRIA (Secção Oficial)

Um tributo subtil a “Taxi Driver”, numa versão mais… realista, digamos assim. Para perceber o que quero dizer, clique aqui.