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Matiné de domingo numa quarta-feira à noite

07.Jun.2007

«The Treatment», terceiro filme a ser exibido na secção Independentes Americanos do Festroia, gira à volta de um triângulo escaleno: Jake Singer, um professor inseguro fora da sala de aula, que após terminar a última relação amorosa parece condenado a uma vida de mediocridade; Ernesto Morales, o psicanalista de Singer, que se auto-intitula como o último verdadeiro discípulo de Freud do planeta; Allegra Marshall, uma viúva pouco alegre, raínha da vida social que vê em Singer uma boa fisgada.

O filme tem um começo auspicioso, com diálogos sólidos, muito humor e um bom ritmo. A certa altura, como que acordando de um sonho indie, a realização decide tomar a via hollywoodesca e deixa de saber para que lado é o norte: a narrativa torna-se forçada, os clichés caem de todos os lados e os risos perdem a espontaneidade. Em vez de deixar algo por dizer, como no caminho escolhido por Linklater em «Before Sunset» e «After Sunset», dizem-se aqui demasiadas coisas, ainda para mais com pouca substância e a tocar o ridículo. A matiné de domingo, no Festroia, foi antes servida na quarta-feira à noite. Fraquinho.

Jules et Jim da era moderna

07.Jun.2007

Ao ver «Reprise», primeira longa-metragem do norueguês Joachim Trier, não pude deixar de pensar em «Jules et Jim», de François Trufaut.

Melhores amigos desde a infância, Erik e Phillip partilham a mesma paixão pelo escritor Sten Egil Dahl, que após a edição do primeiro romance se tornou num ser recluso, afastando-se da vida social e recusando prémios literários. Na sequência de abertura, ambos enviam cópias dos seus romances para a mesma editora, com resultados bem diferentes.

O filme explora a complexa relação entre a criatividade e a experiência, apresentando a escrita como uma arte preciosa que tem de ser aprendida ao longo de um turtuoso caminho, questionando amizades e relações amorosas. O final, lembrando um pouco a subversão narrativa de «Pulp Fiction», constrói uma ponte entre o real e o imaginário, permitindo que o espectador decida se há espaço para o estrelato ou, idealmente, para um novo começo.

Apesar de não conseguir colocar-se a par de toda a rebeldia e entusiasmo que pretende aplicar a cada fotograma, «Reprise» é uma bem conseguida primeira obra de Joachim Trier.

DIA 6 (a minha visão das coisas)

07.Jun.2007

A VIAGEM DE ISZKA (Seção Oficial)

A temática das crianças da rua sempre foi recorrente no Festróia (alguém mencionou “As Tartarguas Também Voam”, grande vencedor do Golfinho de Ouro em 2005?). E este ano, “A Viagem De Iszka” vem confirmar a regra.

Rodado na Hungria, “A Viagem de Iszka” tenta retirar o máximo realismo possível ao utilizar apenas verdadeiras crianças de rua, aproximando o filme quase do registo docudrama. Iszka (Mária Varga) é a personagem central, uma menina que vive na pobreza e que recolhe lixo diariamente para suportar o víceo do álcool dos pais. O quadro trágico é ainda complementado pela irmã mais nova a contas com uma grave doença.

“A Viagem De Iszka” é filmado quase na primeira pessoa, usando e abusando dos grandes planos e recorrendo aos silêncios e à sugestão, de forma a entrarmos também naquele mundo de miséria. Iszka, como todos os meninos da sua idade, tem um sonho: o de ir ve ro mar. E nós vamos embarcar nessa sua “viagem” (assim entre aspas, porque não é bem uma viagem física), que vai temrinar no submundo do tráfico humano.

Filme de curta duração, apenas com 1 hora e um quarto, “A Viagem De Iszka” ressente-se disso, uma vez que não dá espaço nem tempo ao espectador para se deixar envolver naquela rede de emoções. O realizador Csaba Bollók necessitava de ser mais ambicioso e até mais presunçoso. O filme só teria a ganhar.

Além disso, fica sempre a sensação de que muito ficou por dizer, uma vez que a linearidade temporal nunca é bem definida. O que nos faz chegar à conclusão que o principal problema de “A Viagem De Iszka” deu-se na sala de montagem. O que é pena, diga-se, porque haviam potencialidades para muito mais.

M - MATOU! (Clássicos Alemães)

Último filme do mestre Fritz Lang na sua Alemanha natal, antes de fugir para os Estados Unidos. Curiosamente, “M - Matou” lançaria as linhas mestras do cinema-noir, que nos anos seguintes iria ser uma das bandeiras de Hollywood. Para ler mais aqui.