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DIA 7 (a minha visão das coisas)

08.Jun.2007

MOMENTOS AGRADÁVEIS (Secção Oficial)

A depressão é, sem dúvida, a doença-rainha urbana da sociedade contemporânea. E a psicanálise tornou-se numa terapia quase obrigatória nas grandes metrópoles do Ocidente civilizado. Por isso, pela importância que tem, não tem sido uma temática estranha no cinema, em filmes como “Uma Questão De Nervos”, “Melhor É Impossível”, ou mesmo na televisão, com o célebre “Frasier”.

“Momentos Agradáveis” debruça-se sobre este tema, mas coloca a questão ao contrário: e os próprios psicólogos, quem é que os trata? Analisam-se a eles próprios ou vão a outros psicólogos? Ou será que estão imunes às depressões?

Temos então como figura central o consultório da psicóloga Hana (Jana Janeková), onde vão parar um sem-número de estórias fellinianas, desde tarados sexuais a vítimas de violência doméstica, passando pelos simples lunáticos. No entanto, estes episódios vão-se reflectir na própria vida de Hana, que não consegue pôr em prática na sua vida familiar os conselhos que dá aos seus pacientes.

Espécie de filme-mosaico, “Momentos Agradáveis” é filmado com câmra ao ombro e (aparentemente) com luz natural, provando que o Dogma nunca morrerá. No entanto, a forma algo caótica de como as estórias se vão cruzando e a tremideira exasperante da câmara não é a ideal para um filme que se queria sério.

“Momentos Agradáveis” assemelha-se a uma sessão de psicanálise com o próprio Fellini.

VIÚVA RICA SOLTEIRA NÃO FICA (Cinema Português do Ano)

Filme de época, crónica de costumes e tragédia à portuguesa. O costume no nosso cinema, mais mais bem feito do que é costume. Para conferir aqui.

POSTO FRONTEIRIÇO (Secção Oficial)

Eis o meu favorito à conquista do Golfinho de Ouro.

HEARTBREAK HOTEL (Secção Oficial) 

Apesar do título, “Heartbreak Hotel” não é nenhum dos rock-and-roll-movies de Elvis Presley. É antes uma comédia de sucesso sueca, com a famosa (e bonita) Helena Bergström, a tal actriz que em 1995 foi considerada a melhor do século na Suécia e que, afinal, veio-se a descobrir pouco depois que tudo não tinha passado de um erro informático.

Apesar de partir da premissa de que há cada vez mais divórcios na sociedade actual, “Heartbreak Hotel” pouco tem a ver com o filme de relações. Este é mais um filme de duas mulheres quarentonas, a ginecologista Lisa (Helena Bergström) e a fiscal de estacionamento Gudrun (Maria Lundqvist), a primeira divorciada e a segunda viúva, que se vão tornar nas melhores amigas contra todas as previsões.

Lisa é uma divorciada toda para a frentex, emancipada e sem problemas em se divertir; a segunda, é uma viúva caseira, depressiva e que nunca teve um orgasmo. Semanalmente, vão-se encontrar à noite no Heartbreak Hotel, uma discoteca que é como aquele lugar que Hank Williams cantava, onde todos os que têm desgostos de amor vão, para beberem, dançarem, conhecerem homens e fazerem muitas figuras tristes e divertidas.

Apesar de no início prometer ser um simples filme de relações, “Heartbreak Hotel” rapidamente se transforma numa comédia screwball, uma espécie de “American Pie - A Primeira Vez” para quarentões. E, curiosamente, safa-se bastante bem e chega a ter muita piada. O pior vem depois…

É que depois, “Heartbreak Hotel” parece querer acertar nos clichets todos do género, ao descambar para a pieguice lamechas, espremendo o tearjerker até não poder mais. São 20/30 minutos a mais de filme. No entanto, o que era mesmo escusado era o final à “Thelma & Louise”.

Tivesse passado numa das sessões noturnas e “Heartbreak Hotel” seria o principal candidato a Prémio do Público.

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