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O paradoxo dos intervalos

28.Mai.2007

É certo que ver cinema em casa tem as suas vantagens: podemos comer e beber sem incomodar ninguém, por exemplo. No entanto, ver cinema na televisão portuguesa é, actualmente, um exercício quase impossível. E o motivo: os intervalos.

Uma das coisas mais interessantes em rever os filmes mais antigos da minha colecção de vhs, é ver os anúncios da época que davam nos intervalos. E nessas ocasiões dá para comparar as diferenças da televisão de há duas décadas com a actual: então, os intervalos resumiam-se a uma mão cheia de reclames, o suficiente para irmos à casa-de-banho fazer um xixizinho e voltar. Hoje em dia, um intervalo com menos de 15 minutos não é um intervalo…

É um sinal dos tempos: as receitas da publicidade dominam por completo a programação da televisão pública. No entanto, não deixa de ser algo paradoxal, visto que vivemos numa era em que a quantidade de informação a absorver surge em quantidades industriais e a nossa mente está cada vez mais formatada, pela televisão à internet, para ser entretida de x em x tempo. Por isso, quem é que consegue estar à espera 15 minutos pela segunda parte de um filme, sem se distrair por outros programas em outros canais? E dos que conseguem, quem é que ainda se lembra do que se passou na primeira parte do filme?

Maldita incapacidade de nos concentrarmos mais do que 20 minutos de seguida!

O primeiro filme de zombies português

22.Mai.2007

Os mais atentos já o conheciam do mundo da música, mas Filipe Melo saltou para as luzes da ribalta quando, em 2001, foi o criador e o produtor do “primeiro (e único até há data, que eu saiba) filme de zombies português”. Falo obivamente de “I’ll See You In My Dreams”.

Filipe Melo juntou um elenco de luxo - Manuel João Vieira, Sofia Aparício, João Didelet, São José Correia e, especialmente, Adelino Tavares -, uma banda de prestígio internacional - os Moonspell -, uma companhia de efeitos-especiais conceituada - a SFX - e capital luso-espanhol, e assinou um filme de terror português, provando que em Portugal também é possível fazer cinema independente.

O filme arrecadou prémios por váiros festivais internacionais - 12 ao todo, incluindo o “nosso” Fantasporto - e tornou-se num caso de sucesso. E o que ganhou Filipe Melo com isso? Segundo o próprio, apenas dores de cabeça, porque o cinema em Portugal só dá de comer a meia-dúzia de cabeças. E são sempre as do costume… No entanto, Filipe Melo pode-se orgulhar de ter realizado um dos seus sonhos. O que é mais do que a maioria das pessoas se podem gabar.

Com isto, Filipe Melo criou a sua própria produtora, a Pato Profissional Produções, com a qual se prepara para se envolver noutro projecto arriscado: a do primeiro filme de monstros português. Uma espécie de homenagem a filmes como “As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim”, com Nicolau Breyner no principal papél. A história parte da premissa de que, durante a Segunda Guerra Mundial, o Terceiro Reich aprisionou todos os montros do Mundo - o lobisomem, o abominável homem das neves, o frankenstein… - em Portugal. Ao que consta, a coisa até vai bem encaminhada e tem bastante bom aspecto. E pode ser acompanhada neste site.

E isto para dizer o quê? Para publicitar de forma escandalosa a vinda do grande Filipe Melo ao Clube de Cinema de Setúbal, já na próxima sexta-feira, dia 25 de Maio, onde irá apresentar “I’ll See You In My Dreams” e responder às questões do exigente público. E logo a seguir haverá ainda a projecção de “Dellamorte Dellamore”, aquele que é, segundo Martin Scorcese, o melhor filme dos anos 90.

No sábado seguinte, David Rebordão virá apresentar a sua “A Curva”. Mas isto é assunto para outro post.

Publicidade

09.Mai.2007

Aproveito aqui o estaminé para publicitar umas actividades que me parecem pertinentes.


Documenta Setúbal
Competição de Vídeo Documentário sob o tema “Um Olhar Sobre A Cidade”
Mais informações aqui. Só peço desculpa pela postagem tardia.


Workshop de Guionismo
No IPJ de Setúbal, com a alçada de João Nunes, limitado a 15 inscrições, pela quantia de 100 euros. Já aqui tinha sido falado (nos comentários). E eu estarei lá.
Mais informações aqui ou no mail meg@clix.pt

Clube de Cinema de Setúbal em Maio

04.Mai.2007

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Clube de Cinema de Setúbal

27.Abr.2007

Aparte do pretensionismo do nome, o Clube de Cinema de Setúbal tenta, claramente, suprir as lacunas cinematográficas de Setúbal. Uma cidade que é capital de distrito e que apenas tem uma sala e meia de cinema, mais uma amostra de multiplex, ressente-se claramente no que diz respeito a uma programação de cinema saudável: os filmes demoram a cá chegar e outros acabam por não terem espaço para estrear.

O Clube de Cinema não vem salvar a situação, mas acaba por oferecer uma modesta alternativa. Com os seus ciclos temáticos recupera clássicos, exibe fitas pouco conhecidas e recorda outras que passaram despercebidas. Além disso, tenta contextualiza-los ao convidar os próprios realizadores e outras personalidades pertinentes.

As condições da sala não são as melhores, é certo, mas quem está familiarizado com a realidade setubalense, facilmente compreende a situação. E essa cumplicidade aumenta a familiaridade das sessões, que favorecem as tertúlias finais e a discussão dos filmes que acabaram de ser projectados.

O preço também não é significativo, é apenas simbólico e apenas serve para suprir as despesas inerentes. Por isso, com mais ou menos pretensão, com mais ou menos condições, o Cllube de Cinema de Setúbal parece-me ser uma válida alternativa cinematográfica na nossa cidade.

Já agora, aproveito para recordar que na sessão de hoje estará presente o realizador Diogo Camões, para apresentar o seu documentáro “Morrer”, premiado nos festivais de Vila do Conde e do Fundão, no ano passado.; e amanhã será a vez de José Barahona, realizador já distinguido no Fantasporto e no Festival Caminhos do Cinema Português de Coimbra, que virá falar dos seus filmes “Pastoral” e “Quem É Ricardo?” E para quem não sabe, aproveito também para dizer que as sessões acontecem todas as sextas e sábados, pelas 21h30, no IPJ, sito no Largo José Afonso.

PS - quanto ao Festróia que se avizinha, posso adiantar que desconfio que vai ser o melhor de sempre

O cinema na RTP

19.Abr.2007

Algo se passa ultimamente com a programação da RTP, no que diz respeito ao cinema. Não sei o que é, mas eu gosto. Não sei se é algum nome novo no organigrama interno que escolhe os filmes que vão passar, não sei se é apenas uma táctica nova… O que sei é que a programação cinematográfica da RTP está boa de saúde e recomenda-se.

O canal 2 já vinha a portar-se bastante bem nesse campo, desde que há uns anos atrás foi remodelado, principalmente ao sábado à noite. Também a RTP Memória tem sido um canal a reter, com alguns filmes históricos de valor, que passam entre as maratonas do futebol e de “O Império De Carson” (quanto a vocês não sei, mas sempre faço um zapping por lá está a dar uma destas duas coisas). Mas agora, a própria casa mãe também se tornou numa alternativa respeitável no que compete ao cinema, lembrando-se, quiçá, da sua função de serviço público.

Não sei há quanto tempo é que este cenário acontece, eu só dei conta para aí há 15 dias, mas foi tempo suficiente para ficar espantado. É que vivemos num país com uma realidade televisiva tão má que quando estes minúsculos fenómenos acontecem ficamos, automaticamente, fascinados.

Todos os dias, sempre à mesma-hora (quer dizer, mais ou menos, com uma tolerância de 10 minutos, ali por volta da 1 da manhã), a RTP tem exibido muitos e bons filmes. A semana passada foi dedicada ao western e, por entre os clássicos do John Ford e do Anthony Mann, a programação surpreendeu com a inclusão de “Balbúrdia No Oeste”, a hilariante paródia ao género de Mel Brooks.

E o último exemplo de serviço público aconteceu na noite de ontem, com a projecção do primeiro desastre da Bo Derek, “Tarzan, O Homem Macaco”. Qual era a probabilidade de num passado recente vermos na televisão portuguesa um filme deste calibre? Um mau bom filme lendário como este, só comparado às obras-primas de Ed Wood, por exemplo?

Eu não sei o que se passa com a RTP, mas o que é certo é que não estava tão satisfeito com a sua programação cinematográfica desde que o António Pascoalinho estava lá, a passar filmes de zombies em pleno sinal público.

O primeiro post da nova vida

16.Abr.2007

É este o texto que marca o início regular da actividade deste espaço, o blogue oficial do Festróia. Se isto será bom ou mau, só o tempo o dirá. Agora o que é certo é que era inevitável. E por várias razões.

Principalmente, porque não faz sentido haver este espaço vazio e semi-moribundo durante quase todo o ano, para só acordar durante os dias do festival. Até porque o Festróia não se passa só numa semana; o festival vive todo o ano e durante 365 várias pessoas trabalham nos bastidores para que tudo corra como nós depois vemos.

Assim, aceitei com muito gosto e orgulho o convite que me fizeram para que fosse uma das vozes regulares do blogue (haverão outras entretanto, podem respirar de alívio). Aliás, uma das coisas que distingue este blogue da maioria dos demais é estar aberto à participação de todos. Basta registarem-se lá em cima, no canto direito, e ficam com a possibilidade de escreverem o que bem vos apeteça. É a isto que se chama democracia e liberdade de expressão.

Por isso, já sabem. A partir de agora podem passar regularmente por aqui, porque haverão certamente coisas para falar. E não só sobre cinema, garanto.