Festroiablog.com

Clube de Cinema de Setúbal (II)

10.Mai.2007

É já amanhã, dia 11 de Maio, que o Clube de Cinema de Setúbal exibe, orgulhosamente, o filme “Die You Zombie Bastards!”, naquela que é uma estreia nacional absoluta.

Realizador por Caleb Emerson, em 2001, “Die You Zombie Bastards!” tem passado por vários festivais por todo o Mundo, arrecadando inclusive prémios no Festival Lausanne Underground, na Suiça, e no Festival Backseat, em Filadélfia. Recuperando o espírito do cinema de série B, “DYZB!” é o primeiro filme de zombies-super-heróis-serial-killers-rock-and-roll-road-movie-romance(!) de sempre.
O filme conta ainda com a falecida lenda do rockabilly Hasil Adkins e terá legendas em inglês.

A sessão terá a apresentação do músico Maestro Nick Nicotine IV, o frontman dos explosivos The Act-Ups, vocalista dos garageiros The Ballyhoos, membro integrante dos infames Los Santeros, nome por trás do projecto one-man band Nicotine’s Orchestra e compositor de bandas-sonoras.

Como sempre, a sessão está marcada para as 21h30, no auditório do IPJ de Setúbal, no Largo José Afonso, com as entradas a fazerem-se a 1€, com 50% de desconto para estudantes e portadores do Cartão Jovem.

Não esquecer ainda que no sábado, dia 12, será exibido o filme “Crippled Masters”.
Aproveitamos ainda estas linhas para informar que há entradas grátis para a sessão para oferecer - são três bilhetes individuais, para os primeiros que enviarem um email a dizer “Quero ir ver o “Die You Zombie Bastards!” para experimentaculo@gmail.com.

+ info: www.dieyouzombiebastards.com | www.myspace.com/experimentaculo

Trailer oficial

“Problema de comunicação”

02.Mai.2007



Se Paul Newman tivesse tido um pouco mais de sorte e tivesse sido o escolhido por Elia Kazan, no casting para “East Of Eden”, talvez hoje ninguém se lembrasse de James Dean. De facto, Newman tinha tudo para ser o ícone máximo de uma (leia-se várias) geração.Newman era melhor actor que Dean e os seus olhos azuis davam-lhe um outro carisma. Mas queria o destino que fosse James Dean a ficar recordado para sempre como o rebelde sem causa, condição perpetuada pelo infeliz acidente de carro que o vitimou ainda muito novo. Contudo, enquanto que em “Rebel Without A Cause”, Dean era apenas um jovem chateado com a vida, Paul Newman em “Cool Hand Luke” é o verdadeiro rebelde, sem causa mas com personalidade.

Newman nunca se conformou com os papéis inconsequentes de galã que lhe ofereciam a pontapé; preferiu sempre assumir a sua carreira, filmes mais arriscados, mas mais sinceros. Por isso, dos três grandes actores da sua geração - James Dean e Marlon Brando são os outros dois -, foi o único que soube fazer a transição do cinema dos anos 60 para os 70 de forma perfeita.

“Cool Hand Luke” é a sua obra-prima dessa altura, filme decisivo na passagem do cinema clássico para a contemporaniedade. Aaqui, Paul Newman lima e sofistica o esteriótipo de rebelde do qual James Dean tinha sido o protótipo, criando decisivamente o “anti-herói” no cinema norte-americano.

Mas, curiosamente, a cena mais famosa de todo o filme - a que está documentada no vídeo que encabeça esta prosa - acaba por não ser proferida por si, mas antes pelo cruél e enfemininado Stuart Rosenberg, que tinha um problema de comunicação com Paul Newman. E o primeiro que vier falar dos Guns n’ Roses leva com uma pedra!

300, de Zack Snyder

23.Abr.2007

Parece que existe uma espécie de fenómeno junto à crítica cinematográfica especializada(?) portuguesa. É que todos os filmes que se transformam em fenómeno lá por fora, acabam por ser arrasados pelos críticos em Portugal. Lembro-me por exemplo de “Borat”, a desmiolada comédia que fez furor por todo o lado e que no nosso país foi acusado de ser anti-cinema.

O mesmo aconteceu com “300″, a adaptação de Zack Snyder da graphic-novel (nome mais sério que se dá às bandas-desenhadas) homónima de Frank Miller, que depois de ter sido um êxito de bilheteira lá fora, foi corrida a bolinhas pretas por quase tudo o que era órgão de comunicação da especialidade. Em suma, justificam-no pelo facto de ser um filme unidimensional, sem profundidade nas personagens nem tão-pouco no argumento. É inconcebível para essas pessoas o puro estatuto de filme de entretenimento; e ainda mais incocebível que o entretenimento se possa fazer com um nível gráfico de violência exagerado e estilizado.

<>Claro que tudo isto são opiniões e, como tal, respeito-as a todas, apesar de não concordar com elas. Agora confesso que me faz espécie os outros adjectivos com que tem sido acusado o filme, quase por todo o lado. Chamam-no de pró-americano, de apoiar e justificar a invasão norte-americana ao Irão, de ser xenófabo e racista. Às pessoas que pensam isto só posso acha-las demasiado imaginativas e radicais.

É que não consigo perceber como é que a mesma pessoa que acha o filme sem profundidade dramática ou histórica relevante, consegue considera-lo com espessura suficiente para fazer propaganda política? Parece-me algo paradoxal, não?

300